sábado, 1 de maio de 2010

Os Músicos e a Música no Culto

Os músicos tem a importante missão de ajudar as pessoas a expressarem amor, louvor e gratidão a Deus, como um ato de total entrega aos pés do Salvador, sendo instrumentos para criar um lugar de comunhão entre Deus e a igreja.
Devido a esta importante missão, o músico cristão deve ter algumas características diferentes das que podem ser encontradas em um músico secular. 
O conhecimento da arte de música é necessário, mas não é tudo. Antes de ser um músico, ele deve ser um adorador e ter a consciência de que a cada “apresentação”, os expectadores não serão pessoas que querem um espetáculo, mas sim uma igreja que precisa ser conduzida à adoração e ser edificada com fundamentos bíblicos.
O músico deve apresentar por meio da arte da música o que Deus tem feito em sua vida de modo que o que é ministrado à Igreja no domingo, seja reflexo de uma vida com o Senhor.
A excelência na execução da música deve ser buscada, por meio de aulas, ensaios, pesquisas e oficinas. É importante que cada músico tenha consciência de que sempre poderá aprender mais e poderá ajudar os outros com os conhecimentos que já possui.
Um fator que é de extrema importância e que requer muita vigilância por parte dos músicos é a questão da humildade. Tantas vezes a execução de uma música com maestria é o suficiente para o esquecimento da dependência de Deus e provoca a abertura para o comodismo e para a negligência. A adoração está entrelaçada com a humildade e se estamos muito impressionados com nós mesmo, deixamos pouco espaço para a adoração.

"Há diferentes opiniões a respeito do que seja música sacra. Tradicionalmente entende-se por música que não lembra a música do mundo e que desperta sentimentos de religião, espiritualidade, santidade e adoração a Deus. (...) Deve ser lembrado que uma música não se torna sacra simplesmente porque é composta para ser tocada na igreja, e nem só porque é tocada na igreja." (Instituto Batista de Educação Religiosa da Convenção Batista do Estado de São Paulo, Música e Louvor, p.22.)

A música no culto cristão deve ser manifestação de alegria, proclamação e adoração a Deus.

Devemos ter a consciência que mais que uma combinação entre letras e melodias, a música é uma oferta de louvor a Deus. Considerando a música como oferta, não podemos oferecer a Deus, algo de qualquer jeito, mas sim, o melhor!
"A música deverá não ter nenhum outro alvo ou objetivo senão a glória de Deus e a recreação da alma." (Bach)
A música sacra deve promover uma visão correta sobre Deus, Suas características e atributos.

A letra da música deve ter fundamento bíblico e teológico, de forma que não desperte sentimentos humanos fora destes contextos. A expressão e interpretação das músicas devem ser coerentes e comunicar espiritualidade de modo que desenvolva na pessoa uma visão correta sobre o seu estado pecaminoso e a possibilidade de salvação e mudança de vida por intermédio da graça de Jesus. A música deve despertar sentimentos de reverência e adoração.

Falando tecnicamente, a música possui elementos de melodia, harmonia, ritmo e forma. Segundo o Instituto Batista de Educação Teológica da Convenção Batista do Estado de São Paulo, Música e Louvor, p. 23. temos:
“MELODIA é a organização simples de uma série de sons musicais. É também o elemento básico sobre o qual a música é composta e a principal fonte para a identificação.
HARMONIA é a combinação de sons ouvidos simultaneamente e em geral conhecidos como acordes. Há a possibilidades de um número sem fim de combinação de sons; por isso a harmonia serve para expressar e projetar diferentes estados da alma.
RITMO é tudo que diz respeito à duração do som. É a combinação dos grupos de pulsações (batidas) de diferente duração. O ritmo é o elemento musical mais forte do apelo emocional causado pela música, o que mais prende a atenção.
FORMA é o modo pelo qual se organiza a melodia, a harmonia e o ritmo. Uma boa forma proporciona a unidade básica para a mensagem a ser apresentada através da composição musical."
         É importante cuidar que a música na Igreja, seja diferenciada e traga uma mensagem divinamente inspirada, porém que esta não seja um fator que distancie a Igreja das pessoas, no sentido de voltarmos na história em que a liturgia, a Bíblia e a música eram exclusivos ao clero.    
Lutero teve um papel de extrema importância porque promoveu o livre acesso às Escrituras traduzidas na linguagem do povo (anteriormente a leitura da Bíblia era um privilégio dos sacerdotes e ainda era realizada na liturgia em latim) e junto com isso, promoveu a popularização da música e dos hinos que a partir de então podiam ser cantados na língua e estilos dos seus contemporâneos.

            Não podemos fechar os olhos para a necessidade de uma música contextualizada, que valoriza o que já foi conquistado durante a história da música e da igreja. Sendo assim, a escolha das músicas para o culto deve contemplar músicas antigas e contemporâneas, desde que estas sejam fundamentadas na Bíblia, tragam a consciência de adoração e sejam instrumentos para a proclamação do evangelho de forma clara e compreensível.



Joice Mota
Membro da Igreja Batista em IV Centenário – Capital SP, onde serve na Diretoria de Música.
Bacharelanda em Música Sacra pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo - FTBSP

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