domingo, 11 de julho de 2010

Trabalho em Equipe: Relacionamento entre Pastor e Ministro de Música

Trabalho em Equipe: Relacionamento entre Pastor e Ministro de Música

“Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.
E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.
E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.
Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.”
(I Co. 12: 4-7)

A Igreja de Cristo traz consigo uma das maiores belezas: a reunião de um povo tirado das trevas para a gloriosa luz de Cristo, para proclamarmos as virtudes daquele que nos chamou.
É nesta diversidade de dons, ministérios e operações que está a beleza da Igreja, o Corpo de Cristo. Cada um trabalhando naquilo que lhe é confiado, buscando realizar o melhor e assim, proclamar a glória de Deus Pai.
Tal diversidade, dentro do corpo de Cristo existe para ser bênção! Bênção na vida da Igreja, bênção na comunidade na qual está inserida, enfim, bênção até onde a influência da igreja puder alcançar.
Infelizmente, não é sempre assim que os nossos olhos podem observar a atuação da igreja.  Divisões, discórdias e alguns outros males, tantas vezes têm tomado conta e então, a busca desenfreada pelo poder acaba por afastar pessoas da comunhão, frustrar sonhos e principalmente, enfraquecer a noiva de Cristo.
Como é de nosso conhecimento, a Igreja é o povo de Deus, as pessoas que dela fazem parte e não as paredes que nos abrigam nos momentos de ensaios e reuniões. Considerando que a Igreja é composta por pessoas e pessoas são imperfeitas, é razoável entender que nem em todo o momento, as opiniões serão convergentes, porém, apesar das diferenças, o objetivo deve ser o mesmo: glorificar a Deus e então, os resultados serão os melhores possíveis.
Se temos a consciência (ou pelo menos deveríamos ter) de que é o mesmo Deus que opera tudo em todos e que a diversidade de ministérios deve somente somar, por que tantas vezes parece ser tão complicado que os ministérios trabalhem de maneira coesa e com o objetivo comum?
Muitas vezes é possível ver uma igreja com diversidade de ministérios, porém sem uma visão única, sem objetivo único e então, cada ministério trabalha conforme quer e a igreja não chega a lugar algum. Será esta a melhor maneira de trabalhar com a diversidade? O texto bíblico colocado no início deste artigo nos adverte que não. Cristo é único. Por que o corpo dEle deveria estar dividido?
Os relacionamentos interpessoais são a chave para o bom caminhar, a boa convivência e a unidade entre os ministérios. Uma vez que, Deus usa pessoas para trabalhar e realizar a obra.
Pensando nesta questão, quero convidar o caro leitor a refletir um pouco sobre o relacionamento entre o ministério pastoral e o ministério de música.

Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo
Ainda que haja a diversidade de dons, um dom observado em comum e que deve ser trabalhado é desenvolvido tanto pelo pastor como pelo ministro de música, é o dom da liderança, porque sem dúvida o exercício do dom da liderança de forma bíblica é fundamental para o bom andamento de qualquer ministério e como conseqüência resultará no bom andamento da igreja, como um todo.
A liderança deve ser exercida com zelo, conforme está em Romanos 12:8 (...)se é exercer liderança, que a exerça com zelo (...)”.
Independentemente do ministério (se é pastoral ou de música) há algumas questões importantes sobre liderança que devem ser analisadas.
Segundo Bill Hybels “Pessoas admiravelmente dotadas para liderar devem se render totalmente a Deus e idealizar objetivos poderosos, bíblicos e que honrem a Ele” [HYBELS, 2002] logo, é fundamental que em primeiro lugar, o líder busque uma vida e um ministério para a honra de Deus.
A verdadeira liderança deve estar motivada pela responsabilidade e não pelo crescimento do ego. Uma liderança que sirva para alimentar o ego do líder não serve, segundo esta interessante afirmação “Pessoas dirigidas pelo ego satisfazem-no através da causa, enquanto pessoas motivadas pela responsabilidade sacrificam seu ego pela causa.” [SMITH, 2003]
O líder deve ter noção da sua responsabilidade em ter uma liderança forte porque a eficácia das pessoas e das organizações está na força do líder. “A capacidade de liderança é sempre a tampa sobre as pessoas e as organizações. Se a liderança é forte, a tampa é alta. Caso contrário, a organização fica limitada.” [MAXWELL, 1999]
“Um princípio que aprendi é que Deus não fará nada por mim o que posso fazer sozinho, mas não me deixará fazer sozinho o que somente Ele pode fazer. Deus me deu inteligência e criou oportunidades para mim – tenho a responsabilidade de usar meus dons completamente.” [SMITH, 2003]
Para utilizarmos o dom da liderança corretamente precisamos estar atentos para realizar a nossa parte, e é claro, estar na dependência de Deus para aproveitar as oportunidades que Ele tem criado para nós.
Todo o líder precisa ter uma visão clara sobre os objetivos do seu ministério. Sem visão é impossível influenciar e motivar seus liderados para alcançar os objetivos.
“Esse é o poder da visão. Ela cria a energia que leva as pessoas a agir. Ela acende um fósforo no combustível que a maioria das pessoas possui no coração, ansiando para que seja aceso. Mas nós, líderes devemos manter essa chama acesa em seu coração por meio da descrição de estimulantes idéias do Reino. Mais uma vez, a liderança é o único dom que traz esta faísca revigorante para a Igreja.”  [HYBELS, 2002]
É importante que o líder fique atento para não perder a visão no meio do caminho. Muitas vezes passam aos seus liderados a culpa pelo desvio de visão, quando na verdade, a responsabilidade pelo foco na visão é do próprio líder.
O líder precisa ter bom relacionamento com os liderados, mas também com os demais líderes que trabalham junto com ele. Bom relacionamento não significa ausência de conflitos, visto que em todo o tipo de relacionamento humano há conflitos, se não os há é porque uma parte está dominando e outra está sendo anulada.
Como líderes, precisamos cuidar para não fazermos papel de dominadores e nem de anulados. Devemos criar um clima confortável para colocarmos nossas idéias e para ouvirmos o que os liderados e os demais líderes querem dizer a respeito.
A delegação de poderes, o respeito e a preparação de novos líderes são fatores fundamentais na liderança. O líder, apesar de ser líder, é uma pessoa normal, com as limitações que todos nós temos e um dia também vai morrer. Não existem “super-heróis” na liderança. Não é possível que um líder exerça com qualidade todas as atividades de todos os ministérios. É preciso sabe delegar, respeitar e saber trabalhar em parceria com outros líderes.
Ministros de música sentem-se chateados e sem apoio quanto notam que o seu pastor toma decisões sozinho e age sem considerar a liderança do ministério de música. Pastores sentem-se da mesma forma, quando percebem que o ministro de música quer caminhar de forma contrária a visão pastoral.
A liderança com zelo, comentada no início deste tópico deve ser sempre com a visão de soma e unidade. Ciúme, crescimento de ego, preconceitos vãos entre outros males que podem existir nos relacionamentos entre líderes não devem tomar espaço na igreja de Cristo.
Jesus, o maior líder, nos mostrou que a essência da liderança é querer ser o primeiro a servir, portanto, pastores e ministros de música, busquem servir um ao outro em amor e apoio, lembrando sempre, que o bom relacionamento entre vocês, resultará em um bom ambiente para desenvolvimento do trabalho, estabelecerá um saudável clima de comunhão e irá contribuir para o crescimento da igreja como um todo, além de, ser um excelente exemplo aos liderados.
Em I Pe. 5:2-3 está escrito “pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir. Não ajam como dominadores dos que lhes foram confiados, mas como exemplos para o rebanho

E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.
Tanto o ministério da Palavra, quanto o ministério de Música apresentam precedentes bíblicos para sua existência.
Conforme a definição da própria palavra, ministério significa serviço, dar, ou seja, servir. Todos os termos encontrados na Bíblia para ministério, sempre remetem à submissão à vontade de alguém como podemos encontrar nos textos, Ex. 24:13; 33:1, At. 13:15, entre outros.
As principais bases bíblicas para o início do ministério de música estão nos livros das Crônicas. Davi organizou as apresentações de músicas e coros no momento das ofertas queimadas (I Cr. 16: 4-6), tendo coros sob a liderança de Asafe (I Cr.16:37) e Hemã e Jedutun (I Cr.16: 39-42).
A atuação do ministério da música era subordinada aos sacerdotes (I Cr. 23:28). Podemos destacar aqui que o ministério de música deve estar submisso ao ministério pastoral. Aqui, quando menciono submissão quero dizer: estarem sob a mesma missão. Esta é mais uma razão que reforça a necessidade de diálogo franco e aberto entre pastor e ministro de música, sem individualismo e tampouco abuso de autoridade por nenhum dos lados.                                                                                                                            
Lembro-me que logo na primeira aula que assisti na Faculdade Teológica, o professor já dizia “você que deseja ser ministro, trabalhe ao lado do seu pastor”. E assim muitas outras aulas vieram e a frase era repetida em distintas disciplinas e professores.
Ao conversar com pastores e com ministros de música, ambos os lados expressam o desejo de apoio, independentemente de estarem em ministérios diferentes. O pastor deseja que o seu ministro de música compartilhe de sua visão e então, trace estratégias para com e por meio da música atingi-la. O ministro de música, por sua vez, deseja encontrar o apoio pastoral para a realização dos projetos ministeriais, bem como a abertura para expor suas idéias e experiências.
O conceito sobre teoria geral de sistemas pode ser aplicado de forma a explicar melhor esta questão da diversidade de ministérios e atividades. Este conceito define que sistema éconjunto de partes inter-agentes e inter-dependentes que, conjuntamente, formam um todo unitário com determinado objetivo e efetuam determinada função” [OLIVEIRA, 2001]
É evidente que as partes (ministérios) e as atividades que cada um exercerá serão diferentes. Ao lermos sobre as atividades dos levitas e as dos sacerdotes veremos que trabalhavam para um determinado fim, porém exercendo funções diferentes. Tudo isso é perfeitamente normal e saudável.
Os versículos de I Co.12:12 e 18 reforçam esta idéia nos dizendo: Ora, assim como o corpo é uma unidade, embora tenha muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo muitos, formam um só corpo, assim também com respeito a Cristo”. “De fato, Deus dispôs cada um dos membros no corpo, segundo a sua vontade.”
Pense o quão difícil seria um pastor ou ministro acumular todas as atribuições do ministério pastoral com todas as funções do ministério de música?! Durante a semana ele separaria as partituras para o ensaio da banda, porém ao mesmo tempo precisaria se concentrar no gabinete para a organização do sermão. Em seguida, a secretária lhe avisa que o irmão “X” foi hospitalizado e necessita de visita, porém a caminho desta visita recebe um telefonema de um corista “Y” dizendo que não poderá ir ao ensaio, então ele repensa para quem será aquele solo que o irmão “Y” faria, mas quando está tentando pesquisar outro solista, lembra que precisa ir até a loja para buscar o instrumento que estava em manutenção. No momento do culto ele toca, canta, rege, prega e dirige...Será que uma só pessoa consegue exercer com atenção, qualidade e dedicação todas estas tarefas? É evidente que não.
Por este motivo que Deus, em sua infinita sabedoria, coloca cada membro do corpo com a sua função, as suas atividades, para, de acordo com o dom e habilidade de cada um, todos trabalharem.
É interessante observar que os cultos no Novo Testamento apresentavam leitura da palavra, sermão, salmos, hinos e cânticos espirituais, partir do pão, orações, manifestações de milagres, etc. Tudo isso nos alerta que não há ministério mais ou menos importante no corpo de Cristo, todos são bênçãos dadas pelo próprio Deus para a edificação da Igreja.
“A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem comum.“ (I Co. 12:7)
     
O que um ministro de música gostaria que seu pastor soubesse?
- Que assim como o pastor, ele recebeu um chamado de Deus para o exercício da liderança em uma determinada área, logo, deve ser respeitado como um líder, tendo o direito de expor seus pensamentos de forma aberta e clara.
- Que o apoio do pastor em palavras e atitudes, faz muita diferença. Não há nada mais desanimador do que sentir a indiferença de alguém que deveria trabalhar ao seu lado.
- Que a qualquer sinal de discordância com alguma atitude ou idéia do ministro, o próprio ministro seja o primeiro a saber.
- Que ele não gostaria de ser lembrado somente nos momentos em que o coro canta uma nota desafinada ou que um músico não pôde comparecer, mas também, nos momentos em que uma música escolhida para o culto contribua para o enlevo espiritual dos participantes ou então nos momentos em que ele, nos bastidores silenciosamente pensa em cada detalhe de uma ordem de culto ou programação especial.
- Que quer estabelecer com o seu pastor um diálogo aberto sobre visões, planos e projetos e também que quer fazer parte deles de forma interdependente e não como um item opcional.
O que o pastor gostaria que o seu ministro de música soubesse?
- Que espera do ministro de música projetos que visem o crescimento do Reino, o aperfeiçoamento da música utilizada na igreja e a edificação dos irmãos, por meio da arte.
- Que o ministro trabalhe de forma independente no sentido das suas atividades, porém sabendo da visão pastoral e não a ignorando em busca de realizações pessoais.
- Que o ministro não aja com estrelismo, menosprezando os efeitos da pregação falada.
- Que o ministro busque conhecimento da Palavra para evitar trazer à Igreja, heresias por meio das canções.
- Que em momentos de crise, o ministro tenha maturidade emocional para gerenciá-la e tenha abertura para contar com o seu pastor.
- Que a qualquer sinal de discordância com alguma atitude ou idéia do pastor, o próprio pastor o primeiro a saber.

Mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos
O trabalho em equipe entre os ministérios da igreja, e aqui especificamente entre o ministério de música e o pastoral é de grande importância para a edificação do Corpo de Cristo. Ministros que trabalham de forma individualista e lutando por realizações pessoais não contribuem para o crescimento da igreja, pelo contrário, não transmitem nenhum tipo de ensino proveitoso.
O “mundo corporativo” já reconheceu faz algum tempo que o trabalho em equipe traz muito mais resultados do que o individual. E nós, quando será que reconheceremos isso por completo?
Jesus, sendo Deus todo poderoso, preferiu trabalhar em equipe, escolhendo os 12 apóstolos para trabalhar com Ele em seus três anos de ministério terreno. Por que nós, seres humanos imperfeitos, tantas vezes preferimos trabalhar de forma isolada?
É tempo de deixarmos de lado posições individualistas e trabalharmos pelo Reino tendo a consciência de que Deus é único e é o mesmo Deus que opera tudo em todos, logo, não há razão para o Corpo de Cristo trabalhar de forma dividida de forma a prejudicar ele mesmo.
“Para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. “(Jo. 17:21)

Joice Mota
Membro da Igreja Batista em IV Centenário – Capital – SP,
onde serve na área da Música.
Bacharelanda em Música Sacra pelo FTBSP .

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