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segunda-feira, 30 de agosto de 2010
domingo, 11 de julho de 2010
Trabalho em Equipe: Relacionamento entre Pastor e Ministro de Música
Trabalho em Equipe: Relacionamento entre Pastor e Ministro de Música
“Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.
E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.
E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.
Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.”
(I Co. 12: 4-7)
A Igreja de Cristo traz consigo uma das maiores belezas: a reunião de um povo tirado das trevas para a gloriosa luz de Cristo, para proclamarmos as virtudes daquele que nos chamou.
É nesta diversidade de dons, ministérios e operações que está a beleza da Igreja, o Corpo de Cristo. Cada um trabalhando naquilo que lhe é confiado, buscando realizar o melhor e assim, proclamar a glória de Deus Pai.
Tal diversidade, dentro do corpo de Cristo existe para ser bênção! Bênção na vida da Igreja, bênção na comunidade na qual está inserida, enfim, bênção até onde a influência da igreja puder alcançar.
Infelizmente, não é sempre assim que os nossos olhos podem observar a atuação da igreja. Divisões, discórdias e alguns outros males, tantas vezes têm tomado conta e então, a busca desenfreada pelo poder acaba por afastar pessoas da comunhão, frustrar sonhos e principalmente, enfraquecer a noiva de Cristo.
Como é de nosso conhecimento, a Igreja é o povo de Deus, as pessoas que dela fazem parte e não as paredes que nos abrigam nos momentos de ensaios e reuniões. Considerando que a Igreja é composta por pessoas e pessoas são imperfeitas, é razoável entender que nem em todo o momento, as opiniões serão convergentes, porém, apesar das diferenças, o objetivo deve ser o mesmo: glorificar a Deus e então, os resultados serão os melhores possíveis.
Se temos a consciência (ou pelo menos deveríamos ter) de que é o mesmo Deus que opera tudo em todos e que a diversidade de ministérios deve somente somar, por que tantas vezes parece ser tão complicado que os ministérios trabalhem de maneira coesa e com o objetivo comum?
Muitas vezes é possível ver uma igreja com diversidade de ministérios, porém sem uma visão única, sem objetivo único e então, cada ministério trabalha conforme quer e a igreja não chega a lugar algum. Será esta a melhor maneira de trabalhar com a diversidade? O texto bíblico colocado no início deste artigo nos adverte que não. Cristo é único. Por que o corpo dEle deveria estar dividido?
Os relacionamentos interpessoais são a chave para o bom caminhar, a boa convivência e a unidade entre os ministérios. Uma vez que, Deus usa pessoas para trabalhar e realizar a obra.
Pensando nesta questão, quero convidar o caro leitor a refletir um pouco sobre o relacionamento entre o ministério pastoral e o ministério de música.
Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo
Ainda que haja a diversidade de dons, um dom observado em comum e que deve ser trabalhado é desenvolvido tanto pelo pastor como pelo ministro de música, é o dom da liderança, porque sem dúvida o exercício do dom da liderança de forma bíblica é fundamental para o bom andamento de qualquer ministério e como conseqüência resultará no bom andamento da igreja, como um todo.
A liderança deve ser exercida com zelo, conforme está em Romanos 12:8 “(...)se é exercer liderança, que a exerça com zelo (...)”.
Independentemente do ministério (se é pastoral ou de música) há algumas questões importantes sobre liderança que devem ser analisadas.
Segundo Bill Hybels “Pessoas admiravelmente dotadas para liderar devem se render totalmente a Deus e idealizar objetivos poderosos, bíblicos e que honrem a Ele” [HYBELS, 2002] logo, é fundamental que em primeiro lugar, o líder busque uma vida e um ministério para a honra de Deus.
A verdadeira liderança deve estar motivada pela responsabilidade e não pelo crescimento do ego. Uma liderança que sirva para alimentar o ego do líder não serve, segundo esta interessante afirmação “Pessoas dirigidas pelo ego satisfazem-no através da causa, enquanto pessoas motivadas pela responsabilidade sacrificam seu ego pela causa.” [SMITH, 2003]
O líder deve ter noção da sua responsabilidade em ter uma liderança forte porque a eficácia das pessoas e das organizações está na força do líder. “A capacidade de liderança é sempre a tampa sobre as pessoas e as organizações. Se a liderança é forte, a tampa é alta. Caso contrário, a organização fica limitada.” [MAXWELL, 1999]
“Um princípio que aprendi é que Deus não fará nada por mim o que posso fazer sozinho, mas não me deixará fazer sozinho o que somente Ele pode fazer. Deus me deu inteligência e criou oportunidades para mim – tenho a responsabilidade de usar meus dons completamente.” [SMITH, 2003]
Para utilizarmos o dom da liderança corretamente precisamos estar atentos para realizar a nossa parte, e é claro, estar na dependência de Deus para aproveitar as oportunidades que Ele tem criado para nós.
Todo o líder precisa ter uma visão clara sobre os objetivos do seu ministério. Sem visão é impossível influenciar e motivar seus liderados para alcançar os objetivos.
“Esse é o poder da visão. Ela cria a energia que leva as pessoas a agir. Ela acende um fósforo no combustível que a maioria das pessoas possui no coração, ansiando para que seja aceso. Mas nós, líderes devemos manter essa chama acesa em seu coração por meio da descrição de estimulantes idéias do Reino. Mais uma vez, a liderança é o único dom que traz esta faísca revigorante para a Igreja.” [HYBELS, 2002]
É importante que o líder fique atento para não perder a visão no meio do caminho. Muitas vezes passam aos seus liderados a culpa pelo desvio de visão, quando na verdade, a responsabilidade pelo foco na visão é do próprio líder.
O líder precisa ter bom relacionamento com os liderados, mas também com os demais líderes que trabalham junto com ele. Bom relacionamento não significa ausência de conflitos, visto que em todo o tipo de relacionamento humano há conflitos, se não os há é porque uma parte está dominando e outra está sendo anulada.
Como líderes, precisamos cuidar para não fazermos papel de dominadores e nem de anulados. Devemos criar um clima confortável para colocarmos nossas idéias e para ouvirmos o que os liderados e os demais líderes querem dizer a respeito.
A delegação de poderes, o respeito e a preparação de novos líderes são fatores fundamentais na liderança. O líder, apesar de ser líder, é uma pessoa normal, com as limitações que todos nós temos e um dia também vai morrer. Não existem “super-heróis” na liderança. Não é possível que um líder exerça com qualidade todas as atividades de todos os ministérios. É preciso sabe delegar, respeitar e saber trabalhar em parceria com outros líderes.
Ministros de música sentem-se chateados e sem apoio quanto notam que o seu pastor toma decisões sozinho e age sem considerar a liderança do ministério de música. Pastores sentem-se da mesma forma, quando percebem que o ministro de música quer caminhar de forma contrária a visão pastoral.
A liderança com zelo, comentada no início deste tópico deve ser sempre com a visão de soma e unidade. Ciúme, crescimento de ego, preconceitos vãos entre outros males que podem existir nos relacionamentos entre líderes não devem tomar espaço na igreja de Cristo.
Jesus, o maior líder, nos mostrou que a essência da liderança é querer ser o primeiro a servir, portanto, pastores e ministros de música, busquem servir um ao outro em amor e apoio, lembrando sempre, que o bom relacionamento entre vocês, resultará em um bom ambiente para desenvolvimento do trabalho, estabelecerá um saudável clima de comunhão e irá contribuir para o crescimento da igreja como um todo, além de, ser um excelente exemplo aos liderados.
Em I Pe. 5:2-3 está escrito “pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir. Não ajam como dominadores dos que lhes foram confiados, mas como exemplos para o rebanho”
E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.
Tanto o ministério da Palavra, quanto o ministério de Música apresentam precedentes bíblicos para sua existência.
Conforme a definição da própria palavra, ministério significa serviço, dar, ou seja, servir. Todos os termos encontrados na Bíblia para ministério, sempre remetem à submissão à vontade de alguém como podemos encontrar nos textos, Ex. 24:13; 33:1, At. 13:15, entre outros.
As principais bases bíblicas para o início do ministério de música estão nos livros das Crônicas. Davi organizou as apresentações de músicas e coros no momento das ofertas queimadas (I Cr. 16: 4-6), tendo coros sob a liderança de Asafe (I Cr.16:37) e Hemã e Jedutun (I Cr.16: 39-42).
A atuação do ministério da música era subordinada aos sacerdotes (I Cr. 23:28). Podemos destacar aqui que o ministério de música deve estar submisso ao ministério pastoral. Aqui, quando menciono submissão quero dizer: estarem sob a mesma missão. Esta é mais uma razão que reforça a necessidade de diálogo franco e aberto entre pastor e ministro de música, sem individualismo e tampouco abuso de autoridade por nenhum dos lados.
Lembro-me que logo na primeira aula que assisti na Faculdade Teológica, o professor já dizia “você que deseja ser ministro, trabalhe ao lado do seu pastor”. E assim muitas outras aulas vieram e a frase era repetida em distintas disciplinas e professores.
Ao conversar com pastores e com ministros de música, ambos os lados expressam o desejo de apoio, independentemente de estarem em ministérios diferentes. O pastor deseja que o seu ministro de música compartilhe de sua visão e então, trace estratégias para com e por meio da música atingi-la. O ministro de música, por sua vez, deseja encontrar o apoio pastoral para a realização dos projetos ministeriais, bem como a abertura para expor suas idéias e experiências.
O conceito sobre teoria geral de sistemas pode ser aplicado de forma a explicar melhor esta questão da diversidade de ministérios e atividades. Este conceito define que sistema é “conjunto de partes inter-agentes e inter-dependentes que, conjuntamente, formam um todo unitário com determinado objetivo e efetuam determinada função” [OLIVEIRA, 2001]
É evidente que as partes (ministérios) e as atividades que cada um exercerá serão diferentes. Ao lermos sobre as atividades dos levitas e as dos sacerdotes veremos que trabalhavam para um determinado fim, porém exercendo funções diferentes. Tudo isso é perfeitamente normal e saudável.
Os versículos de I Co.12:12 e 18 reforçam esta idéia nos dizendo: “Ora, assim como o corpo é uma unidade, embora tenha muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo muitos, formam um só corpo, assim também com respeito a Cristo”. “De fato, Deus dispôs cada um dos membros no corpo, segundo a sua vontade.”
Pense o quão difícil seria um pastor ou ministro acumular todas as atribuições do ministério pastoral com todas as funções do ministério de música?! Durante a semana ele separaria as partituras para o ensaio da banda, porém ao mesmo tempo precisaria se concentrar no gabinete para a organização do sermão. Em seguida, a secretária lhe avisa que o irmão “X” foi hospitalizado e necessita de visita, porém a caminho desta visita recebe um telefonema de um corista “Y” dizendo que não poderá ir ao ensaio, então ele repensa para quem será aquele solo que o irmão “Y” faria, mas quando está tentando pesquisar outro solista, lembra que precisa ir até a loja para buscar o instrumento que estava em manutenção. No momento do culto ele toca, canta, rege, prega e dirige...Será que uma só pessoa consegue exercer com atenção, qualidade e dedicação todas estas tarefas? É evidente que não.
Por este motivo que Deus, em sua infinita sabedoria, coloca cada membro do corpo com a sua função, as suas atividades, para, de acordo com o dom e habilidade de cada um, todos trabalharem.
É interessante observar que os cultos no Novo Testamento apresentavam leitura da palavra, sermão, salmos, hinos e cânticos espirituais, partir do pão, orações, manifestações de milagres, etc. Tudo isso nos alerta que não há ministério mais ou menos importante no corpo de Cristo, todos são bênçãos dadas pelo próprio Deus para a edificação da Igreja.
“A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem comum.“ (I Co. 12:7)
O que um ministro de música gostaria que seu pastor soubesse?
- Que assim como o pastor, ele recebeu um chamado de Deus para o exercício da liderança em uma determinada área, logo, deve ser respeitado como um líder, tendo o direito de expor seus pensamentos de forma aberta e clara.
- Que o apoio do pastor em palavras e atitudes, faz muita diferença. Não há nada mais desanimador do que sentir a indiferença de alguém que deveria trabalhar ao seu lado.
- Que a qualquer sinal de discordância com alguma atitude ou idéia do ministro, o próprio ministro seja o primeiro a saber.
- Que ele não gostaria de ser lembrado somente nos momentos em que o coro canta uma nota desafinada ou que um músico não pôde comparecer, mas também, nos momentos em que uma música escolhida para o culto contribua para o enlevo espiritual dos participantes ou então nos momentos em que ele, nos bastidores silenciosamente pensa em cada detalhe de uma ordem de culto ou programação especial.
- Que quer estabelecer com o seu pastor um diálogo aberto sobre visões, planos e projetos e também que quer fazer parte deles de forma interdependente e não como um item opcional.
O que o pastor gostaria que o seu ministro de música soubesse?
- Que espera do ministro de música projetos que visem o crescimento do Reino, o aperfeiçoamento da música utilizada na igreja e a edificação dos irmãos, por meio da arte.
- Que o ministro trabalhe de forma independente no sentido das suas atividades, porém sabendo da visão pastoral e não a ignorando em busca de realizações pessoais.
- Que o ministro não aja com estrelismo, menosprezando os efeitos da pregação falada.
- Que o ministro busque conhecimento da Palavra para evitar trazer à Igreja, heresias por meio das canções.
- Que em momentos de crise, o ministro tenha maturidade emocional para gerenciá-la e tenha abertura para contar com o seu pastor.
- Que a qualquer sinal de discordância com alguma atitude ou idéia do pastor, o próprio pastor o primeiro a saber.
Mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos
O trabalho em equipe entre os ministérios da igreja, e aqui especificamente entre o ministério de música e o pastoral é de grande importância para a edificação do Corpo de Cristo. Ministros que trabalham de forma individualista e lutando por realizações pessoais não contribuem para o crescimento da igreja, pelo contrário, não transmitem nenhum tipo de ensino proveitoso.
O “mundo corporativo” já reconheceu faz algum tempo que o trabalho em equipe traz muito mais resultados do que o individual. E nós, quando será que reconheceremos isso por completo?
Jesus, sendo Deus todo poderoso, preferiu trabalhar em equipe, escolhendo os 12 apóstolos para trabalhar com Ele em seus três anos de ministério terreno. Por que nós, seres humanos imperfeitos, tantas vezes preferimos trabalhar de forma isolada?
É tempo de deixarmos de lado posições individualistas e trabalharmos pelo Reino tendo a consciência de que Deus é único e é o mesmo Deus que opera tudo em todos, logo, não há razão para o Corpo de Cristo trabalhar de forma dividida de forma a prejudicar ele mesmo.
“Para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. “(Jo. 17:21)
Joice Mota
Membro da Igreja Batista em IV Centenário – Capital – SP,
onde serve na área da Música.
Bacharelanda em Música Sacra pelo FTBSP .
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Como Testemunhar por Meio da Música?
Como fazer diferença, utilizando esta arte, que é um presente de Deus? Como adorar em espírito e em verdade?
A seguir, estão alguns pontos importantes para testemunharmos por meio da música:
- Criar uma consciência de adorador
Diferentemente do que acontece em um concerto ou apresentação secular, quando falamos de música evangélica, devemos ter a consciência de que a platéia é Deus e não as pessoas que estão participando do culto.
Tantas vezes caímos no erro de selecionarmos o repertório, preocupados se a música tem um ritmo contagiante, se é boa para tocar ou cantar, mas esquecemos de observar a mensagem que esta música pode transmitir.
A missão do músico é ajudar as pessoas a expressarem amor, louvor e gratidão a Deus, como um ato de total entrega aos pés do Salvador. Carol Cymbala (regente do Brooklyn Tabernacle Choir) diz que Deus deve estar no centro do palco e nós, nos bastidores. O centro de tudo deve ser o Senhor, caso contrário, a música poderá ser uma seqüência de belos sons, mas não será instrumento para testemunho.
Antes de cada momento de culto, devemos orar para que a mensagem da música a ser tocada ou cantada faça efeito primeiramente em nós, porque somente assim é que poderemos passar a mensagem aos que nos ouvirão.
- Ter a adoração em forma prática
Como está escrito em Jo. 4:23, o Pai procura adoradores que o adorem em espírito e em verdade, logo, a adoração deve ter forma prática na vida de todo o cristão.
A adoração em forma prática não se limita às paredes do templo, mas é baseada na obediência à Palavra de Deus e deve ser um estilo de vida a ser buscado e vivido por todos nós, porque à medida que buscamos um relacionamento mais intenso com Deus, Ele revela-se a nós e então, somente conhecendo a Deus é que poderemos falar dele aos outros, caso contrário, falaremos e cantaremos somente palavras que ainda não fizeram sentido em nossas vidas.
Deus deseja que nos apresentemos a Ele como sacrifício vivo que é o nosso culto racional, ou seja, tendo certeza e vendo razão no que estamos fazendo. Se o culto no templo estiver desconectado de uma adoração em forma prática, não é possível ser um culto racional.
É necessário entender que a adoração pode conter música, mas que nem em toda música, contém adoração.
- Cultivar a Humildade
“O homem que não se humilha na presença de Deus nunca será um adorador de Deus. Ele pode ser um membro de igreja que cumpre as regras e obedece a disciplina, que dá ofertas e participa de convenções, mas nunca será um adorador até que se humilhe profundamente”
( Tozer)
Quão carentes somos do testemunho por meio da humildade! Em nosso meio é muito comum convivermos com músicos que devido ao bom desempenho na execução de suas atividades (canto, regência, instrumento), fazem com que os elogios recebidos (o que não há nada de mal se devidamente administrados) tomem uma posição exagerada e em vez da glória ser dedicada a Deus. Então, a partir daí surgem os desentendimentos entre os grupos e a disputa pelo poder. Conseqüentemente, a adoração e o testemunho não têm como ocorrer.
Imaginem que tipo de testemunho é este: um músico ministra belas palavras no momento de cânticos, fecha os olhos, ergue as mãos, mas quando mal acaba o momento de sua “apresentação” já está falando mal de um e de outro, nos demais momentos do culto não presta atenção, fica fora do templo, não valoriza o trabalho das demais pessoas, não participa de estudos bíblicos, ou então uma outra situação em que não está escalado para ir à frente, fica inconformado em dar oportunidade a outras pessoas trabalharem. Como alguém pode testemunhar desta maneira?
Precisamos ter a consciência de que o que somos, o que temos e o que fazemos deve ser para Deus. A letra do hino HCC 422 Como agradecer a Jesus? (Andraé Crouch), em especial o trecho “Tudo que sou e o que vier a ser, eu ofereço a Deus” deve ser nossa oração diária.
Utilize o conhecimento que você possui para dedicar o seu melhor a Deus, ajude os membros do seu grupo, troque idéias com músicos mais experientes, por mais que estudemos, sempre haverá algo de novo para aprender, então, a humildade é fundamental.
- Zelar pelo Bom Testemunho
Certa vez, em um dos ensaios do coro na Faculdade de Música Sacra, o Mt. Donaldo Guedes disse a seguinte frase “o músico não precisa só ser bom e fiel, ele precisa ser e parecer bom e fiel”. Esta frase foi muito marcante. Devemos zelar pelo nosso testemunho e pelo que as pessoas pensam sobre nós.
A Bíblia nos orienta a fugir da aparência do mal, sendo assim, devemos sempre refletir sobre o que temos testemunhado em nossa vida como um todo, isso inclui também o momento da “apresentação” musical.
Será que nossas indumentárias estão de acordo? Hoje em dia a mídia dita as roupas e tendências, mas será que realmente tudo o que está na moda é compatível com o ambiente da igreja e com o modo de viver de um cristão? É preciso refletir e mudar.
Será que todas as manifestações de adoração são realmente para o louvor de Deus ou podem ser interpretadas como meio de conseguir louvor pessoal?
Hoje em dia ouvimos muito que o pecado é relativo e que é da consciência de cada um com Deus, mas não é isso que a Bíblia nos ensina. Apesar de desfrutamos da graça do Senhor e do perdão dos nossos pecados, se realmente amamos a Jesus, devemos evitar o pecado, porque o amor de Deus nos constrange a fazer o bem.
É preciso tomar cuidado com as situações em que nos sentimos tentados. Como está escrito em Mc, 14:38, devemos vigiar e orar para não entrarmos em tentação. Jesus deixa bem claro que não estamos sozinhos e devemos depender de Deus para vencermos a tentação.
Tantas vezes a tentação pelo poder, pela soberba e por tantos outros desejos, nos tornam pessoas que não prezam pelo bom testemunho.
Vejo com pesar muitos músicos acabando com lindos ministérios porque caíram em tentação. Na maioria das vezes (para não dizer todas) a falta de testemunho serve de tropeço para aqueles que os ouviam ou que trabalhavam junto com eles.
Procure zelar pelo seu testemunho, ele será um reflexo da sua vida com Deus! É por meio dele que você poderá ser instrumento para abençoar vidas.
- Deixar Deus escrever a Melodia da sua Vida
Há uma área da música que muito me chama atenção, é a arte da composição. Que maravilha é sentir-se inspirado e pouco a pouco ver aquela idéia escrita no pentagrama e posteriormente sendo executada!
Não há como ser um adorador em espírito e em verdade e testemunhar por meio da música se não permitirmos que o Senhor escreva a melodia inspirada por Ele para nossas vidas. Não há como ser bênção aos outros e fazer a diferença se não vivermos segundo a vontade de Deus.
Para concluir este artigo, segue um trecho do hino HCC 473 Segundo a Vontade de Deus (Gióia Jr / Marcílio de Oliveira Filho) que é muito inspirador: “Que eu me torne uma bênção permanente, para mim, para os outros e para os meus. Vejam todos assim que sou um crente, vivendo segundo a vontade de Deus.”
Que o Senhor nos abençoe no exercício do ministério confiado a nós, para que possamos ser como pentagramas vazios para que Ele escreva as notas que devemos tocar em nossa vida!
Joice Mota
sábado, 1 de maio de 2010
Os Músicos e a Música no Culto
Os músicos tem a importante missão de ajudar as pessoas a expressarem amor, louvor e gratidão a Deus, como um ato de total entrega aos pés do Salvador, sendo instrumentos para criar um lugar de comunhão entre Deus e a igreja.
Devido a esta importante missão, o músico cristão deve ter algumas características diferentes das que podem ser encontradas em um músico secular.
O conhecimento da arte de música é necessário, mas não é tudo. Antes de ser um músico, ele deve ser um adorador e ter a consciência de que a cada “apresentação”, os expectadores não serão pessoas que querem um espetáculo, mas sim uma igreja que precisa ser conduzida à adoração e ser edificada com fundamentos bíblicos.
O músico deve apresentar por meio da arte da música o que Deus tem feito em sua vida de modo que o que é ministrado à Igreja no domingo, seja reflexo de uma vida com o Senhor.
A excelência na execução da música deve ser buscada, por meio de aulas, ensaios, pesquisas e oficinas. É importante que cada músico tenha consciência de que sempre poderá aprender mais e poderá ajudar os outros com os conhecimentos que já possui.
Um fator que é de extrema importância e que requer muita vigilância por parte dos músicos é a questão da humildade. Tantas vezes a execução de uma música com maestria é o suficiente para o esquecimento da dependência de Deus e provoca a abertura para o comodismo e para a negligência. A adoração está entrelaçada com a humildade e se estamos muito impressionados com nós mesmo, deixamos pouco espaço para a adoração.
"Há diferentes opiniões a respeito do que seja música sacra. Tradicionalmente entende-se por música que não lembra a música do mundo e que desperta sentimentos de religião, espiritualidade, santidade e adoração a Deus. (...) Deve ser lembrado que uma música não se torna sacra simplesmente porque é composta para ser tocada na igreja, e nem só porque é tocada na igreja." (Instituto Batista de Educação Religiosa da Convenção Batista do Estado de São Paulo, Música e Louvor, p.22.)
A música no culto cristão deve ser manifestação de alegria, proclamação e adoração a Deus.
Devemos ter a consciência que mais que uma combinação entre letras e melodias, a música é uma oferta de louvor a Deus. Considerando a música como oferta, não podemos oferecer a Deus, algo de qualquer jeito, mas sim, o melhor!
"A música deverá não ter nenhum outro alvo ou objetivo senão a glória de Deus e a recreação da alma." (Bach)
A música sacra deve promover uma visão correta sobre Deus, Suas características e atributos.
A letra da música deve ter fundamento bíblico e teológico, de forma que não desperte sentimentos humanos fora destes contextos. A expressão e interpretação das músicas devem ser coerentes e comunicar espiritualidade de modo que desenvolva na pessoa uma visão correta sobre o seu estado pecaminoso e a possibilidade de salvação e mudança de vida por intermédio da graça de Jesus. A música deve despertar sentimentos de reverência e adoração.
Falando tecnicamente, a música possui elementos de melodia, harmonia, ritmo e forma. Segundo o Instituto Batista de Educação Teológica da Convenção Batista do Estado de São Paulo, Música e Louvor, p. 23. temos:
“MELODIA é a organização simples de uma série de sons musicais. É também o elemento básico sobre o qual a música é composta e a principal fonte para a identificação.
HARMONIA é a combinação de sons ouvidos simultaneamente e em geral conhecidos como acordes. Há a possibilidades de um número sem fim de combinação de sons; por isso a harmonia serve para expressar e projetar diferentes estados da alma.
RITMO é tudo que diz respeito à duração do som. É a combinação dos grupos de pulsações (batidas) de diferente duração. O ritmo é o elemento musical mais forte do apelo emocional causado pela música, o que mais prende a atenção.
FORMA é o modo pelo qual se organiza a melodia, a harmonia e o ritmo. Uma boa forma proporciona a unidade básica para a mensagem a ser apresentada através da composição musical."
É importante cuidar que a música na Igreja, seja diferenciada e traga uma mensagem divinamente inspirada, porém que esta não seja um fator que distancie a Igreja das pessoas, no sentido de voltarmos na história em que a liturgia, a Bíblia e a música eram exclusivos ao clero.
Lutero teve um papel de extrema importância porque promoveu o livre acesso às Escrituras traduzidas na linguagem do povo (anteriormente a leitura da Bíblia era um privilégio dos sacerdotes e ainda era realizada na liturgia em latim) e junto com isso, promoveu a popularização da música e dos hinos que a partir de então podiam ser cantados na língua e estilos dos seus contemporâneos.
Não podemos fechar os olhos para a necessidade de uma música contextualizada, que valoriza o que já foi conquistado durante a história da música e da igreja. Sendo assim, a escolha das músicas para o culto deve contemplar músicas antigas e contemporâneas, desde que estas sejam fundamentadas na Bíblia, tragam a consciência de adoração e sejam instrumentos para a proclamação do evangelho de forma clara e compreensível.
Joice Mota
Membro da Igreja Batista em IV Centenário – Capital SP, onde serve na Diretoria de Música.
Bacharelanda em Música Sacra pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo - FTBSP
Origem e Bases Bíblicas para o Ministério de Música
Conforme a definição da própria palavra, ministério significa serviço, dar a ou seja, servir. Todos os termos encontrados na Bíblia para ministério, sempre remetem à submissão à vontade de alguém como podemos encontrar nos textos, Ex. 24:13; 33:1, At. 13:15, entre outros.
O ministério de música é o conjunto das atividades musicais existentes na igreja, porém muitas vezes, ele não está organizado e/ou não possui algum líder vocacionado para a coordenação.
As atividades do ministério de música abrangem todas as atividades de culto (canto congregacional, execução de instrumentos, ensaios, etc), bem como a preparação de novos líderes e novos músicos.
As principais bases bíblicas para o início do ministério de música estão nos livros das Crônicas.
Davi organizou as apresentações de músicas e coros no momento das ofertas queimadas (I Cr. 16: 4-6),
tendo coros sob a liderança de Asafe (I Cr.16:37) e Hemã e Jedutun (I Cr.16: 39-42).
Davi organizou as apresentações de músicas e coros no momento das ofertas queimadas (I Cr. 16: 4-6),
tendo coros sob a liderança de Asafe (I Cr.16:37) e Hemã e Jedutun (I Cr.16: 39-42).
Em seguida, temos o registro em I Cr. 23 que Davi planeja o serviço musical que seria utilizado no templo eem I Cr.25 há o registro sobre a função dos cantores. I Cr. 25.1 quando Davi separa os chefes do serviço “E Davi, juntamente com os capitães do exército, separou para o ministério os filhos de Asafe, e de Hemã, e de Jedutum, para profetizarem com harpas, com címbalos, e com saltérios; e este foi o número dos homens
aptos para a obra do seu ministério”.
A atuação do ministério da música era subordinada aos sacerdotes (I Cr. 23:28).
Os levitas tem suas funções descritas desta maneira: “Deviam estar presentes todas as manhãs para renderem graças ao Senhor e o louvarem; e da mesma sorte, à tarde; e para cada oferecimento dos holocaustos do Senhor, nos sábados, nas Festas da Lua Nova e nas festas fixas, perante o Senhor, segundo o número determinado” (I Cr.23:30-31).
É interessante observar que o ministério de música no templo foi bem sucedido porque além do preparo técnico, os levitas recebiam o preparo espiritual. Eles foram separados e ordenados. “Santificaram-se, pois, os sacerdotes e levitas” (I Cr. 15:14). Então Davi deixou ali, diante da arca da aliança do SENHOR, a Asafe e a seus irmãos, para ministrarem continuamente perante a arca, segundo se ordenara para cada dia (I Cr 16:37).
No Novo Testamento, há algumas instruções específicas e episódios que nos remetem a pensar na importância da música, como por exemplo, Paulo e Silas cantando na prisão (At. 16:25), a celebração no retorno do filho pródigo (Lc. 15:25), o hino na última ceia (Mc. 14:26).
Em I Co.12: 4-5 lemos que na igreja há diversos dons, porém o Espírito e o Senhor são os mesmos: “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.” , logo, o ministério de música deve trabalhar em conjunto com os demais ministérios da igreja, com o objetivo de crescimento do Corpo de Cristo, por meio da proclamação da Palavra.
Joice Mota
Membro da Igreja Batista em IV Centenário – Capital SP, onde serve na Diretoria de Música.
Bacharelanda em Música Sacra pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo - FTBSP
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